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Há algum tempo estava considerando votar no Bolsonaro para presidente, por supostamente este representar valores que eu considerava benéficos para o Brasil. Porém, alguns acontecimentos me fizeram mudar de opinião. Abaixo elenco oito razões que me fizeram deixar de acreditar em Bolsonaro:


1) Bolsonaro não é capacitado para ser a autoridade suprema do país. Cada entrevista ou declaração dada pelo deputado têm um sentido dúbio; ele tem sérias dificuldades em se expressar, muitas vezes tem que fazer vídeos na internet se retratando por uma colocação mal feita. Esse tipo de coisa me faz questionar sua inteligência. Bolsonaro sempre repete os mesmos chavões, apresentando uma gama de situações que, no meu ponto de vista, parecem exageradas e em vários momentos soam ou como teorias da conspiração ou como fundamentalismo religioso. Não é raro o ver afirmando que fulano é comunista, ou que ciclano quer, “monstruosamente”, desvirtuar a família brasileira (não que não haja políticos com essa índole ou posição política, mas o enfoque aparenta ser meio obcecado e desequilibrado). Sempre que ele se submete à entrevistas, fala das mesmas coisas, além do nióbio, sempre carrega consigo a “cartilha gay” e vomita aquele mesmo discurso manjado contra a pederastia no ensino fundamental e contra deputados que apoiam a divulgação da tal cartilha. Este discurso até cabe a um deputado que foi eleito dentro de um nicho de eleitores com um determinado perfil, mas não faz muito sentido para um presidenciável. Um presidenciável deve se ater à educação, economia, saúde e segurança, não ficar como um disco arranhado falando somente em lutas ideológicas ou picuinhas com inimigos políticos.

2) Bolsonaro nada sabe de economia. Fala do nióbio como se fosse a solução para todos os problemas. Nunca vi ele desenvolver um raciocínio consistente ou claro sobre economia; não o vejo falar muito em como se fomentar o empreendedorismo, nem o vejo oferecer ideias para desburocratização da CLT ou para a facilitação de contratações; ele poderia também enfatizar mais o conceito de Estado mínimo, definição que, ao meu ver, é bastante urgente. Para não ser injusto, ele até fala sobre estas coisas, mas de uma maneira muito superficial. Sabemos que tudo não deve se resumir à economia, porém, em um país onde pessoas passam necessidade, gerar riquezas é fundamental.

“Eu sei que tem gente que acha que se o Bolsonaro se tornar Presidente ele vai chamar alguém competente pra cuidar da economia. Mas essa pérola que ele soltou ao Valor Econômico dizendo que a taxa de juros no Brasil é alta porque o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quer que você compre uma TV e pague por duas, é realmente assustadora. E ele continua na viagem, falando que no Japão a inflação devia ser de 500% porque a taxa de juros é negativa. Quer dizer, não entende NADA mesmo de economia.

Se fosse analisar apenas por essa declaração, diria que se trata de um esquerdista na pele de militar. Desculpe quem gosta dele, mas isso foi muito bizarro.”

Retirado do Facebook da economista Renata Barreto

3) Bolsonaro é mal educado e se envolve muito em confusão. Não são raras as declarações em que ele agride repórteres e usa palavras de baixo calão. Não que ser educadinho seja o primordial, mas, por outro lado, não controlar a língua pode minar sua popularidade e provocar muita rejeição, acaba polarizando demais a opinião pública. Um presidente precisa sim ser um articulador e demonstrar carisma, pois, do contrário, as pessoas sempre o julgarão a cada ação com mil pedras nas mãos.

Veja também o vídeo sobre o mesmo assunto:

4) Bolsonaro adora dizer que é cristão e vai governar para os cristãos. Este discurso é temeroso, pois as minorias religiosas e os ateus se sentem ameaçados com este tipo de declaração. Não haveria problemas se ele apenas se declarasse cristão, mas deixasse bastante evidente de que este fato não prejudicaria as minorias e que ele respeitaria a laicidade do estado – mas isso não ocorre – já vi discursos em que ele dá a entender que sua administração seria voltada exclusivamente aos cristãos. Além disso, Bolsonaro tem feito alianças questionáveis com líderes evangélicos espúrios que me assustam.

5) Bolsonaro apoia as vaquejadas como uma cultura local, uma tradição que não deve ser mexida, sem levar em consideração que o evento se apoia na crueldade contra os animais. Este tipo de colocação da “direita viril” que eleva o homem acima dos animais, justificando monstruosidades como vaquejada e a caça, levou-me ao afastamento da direita brasileira como um todo (não que eu tenha ido para esquerda, claro).

6) Bolsonaro é “militar demais”! Ele tem até quadros dos presidentes militares em seu gabinete. Os militares têm bastante virtudes, e sabemos que o Regime Militar não foi tão feio quanto os esquerdistas comumente pintam. Contudo, não podemos retroceder ao pensamento militar e excessivamente patriota. Temos que ser defensores e guerreiros sim, mas de organismos objetivos e não subjetivos como a pátria: a história mundial tem demonstrado que milhares de pessoas são manipuladas e mortas em guerras movidas pelo “amor a uma bandeira”. É bom defender a família, a ordem e até hierarquias necessárias, porém, transformar o país em um grande quartel não é uma boa ideia. Precisamos ter espaço para manifestações e até para a subversão quando estas se mostrarem estritamente necessárias, a liberdade para combater injustiças, expropriações e truculências por parte do governo precisa estar assegurada. Posso estar errado, mas esse militarismo de Bolsonaro, muitas vezes, soa como sinônimo de obediência cega e censura.

7) Há uma idolatria em torno do nome Bolsonaro. Existe um exagero por parte dos eleitores de Bolsonaro, parecido com a idolatria dos esquerdistas com o Lula, que é quase um sentimento religioso ou de seita; este sentimento é oriundo de uma falsa crença em algum “salvador da pátria”. Não se pode fazer uma mínima crítica ao candidato que centenas de fanáticos aparecem do nada, defendendo o deputado com unhas e dentes. Este “fanatismo político” acontece justamente pela posição do próprio candidato, uma posição à lá Alborghetti, portadora de muitas verdades, mas que, ao mesmo tempo, não é bem absorvida pela população devido a um aparente radicalismo. Uma parte dos brasileiros costuma abraçar este tipo de discurso de maneira praticamente religiosa, reverenciando o autor da ideia como um semi-deus, o ovacionando, por exemplo, com palavras do tipo “Bolsomito”; enquanto a outra parte rechaça o discurso de maneira veemente. Esta polarização impede o diálogo e sem diálogo um país não caminha.

8) A razão mais crucial: deixei de acreditar no Estado e Bolsonaro ainda representa uma falsa esperança de mudança através deste meio. O Estado já é corrupto em sua base, todos aqueles que participam do mesmo já estão corrompidos de alguma forma. O corpo político é formado, geralmente, por pessoas incapazes, podres, preguiçosas, que não conseguiram se dar bem em outras atividades e acabaram se alocando ali por nepotismo, “puxa-saquismo”, “costas quentes” ou por serem introduzidos por “macacos velhos” ao prestarem “favores” políticos. Nenhum político manifesta a verdadeira nobreza, ninguém ali é dotado de sabedoria. Todo mundo deste meio joga o jogo da sujeira, todos querem, no fundo, o poder pelo poder e sequer cogitam tentar elevar o padrão de vida dos brasileiros. Nós somos vistos por eles apenas como fonte de recursos para mantermos suas mordomias. O fim que eles buscam não está nas ideologias que eles fingem defender,  mas em seus próprios umbigos. Todos os políticos vão em algum momento beneficiar parentes, banqueiros e mega empresários. Todos vão elencar suas prioridades, ao invés das reais necessidades e todos vão usar do marketing e/ou da religião para dizerem ser melhores do que realmente são. Os bons não permanecem ali pois são repelidos pelo meio político como a água é repelida pelo óleo.

Enfim, tenho paúra de toda a classe política e do Estado. A meu ver, o governo só atrapalha a economia e é um dos principais responsáveis por toda miséria (financeira e intelectual). O Estado bate, bate, bate e depois dá um assoprinho de leve com as bolsas esmolas e com todo o “protecionismo” que, no fundo, só faz a nação minguar e estar sempre nas primeiras colocações dos piores rankings mundiais.

O melhor suporte social que o governo pode oferecer é se meter o menos possível na economia, reduzindo impostos e burocracias e garantindo a liberdade do cidadão. A melhor forma de inclusão social é o emprego e um mercado justo, com leis que proporcionem a isonomia, ou seja, que não beneficiem JBS’s e Odebrecth’s da vida ou banqueiros. Precisamos, ainda, de leis que efetivamente estanquem a sangria da corrupção e da ineficiência da máquina pública. Só assim poderemos crescer, com competição justa e livre.

O Estado foi fundado por pilhadores, depois se infiltrou em meio às nações e conseguiu se “legitimar”, atualmente ainda é composto por bandidos legitimados. O povo, coitado, sofre muito, também é corrompido, mas também é vítima em muitos casos. Nossa educação não é capaz de nos transformar em cidadãos conscientes e nobres; a burocracia e os impostos somente nos sobrecarregam, tornando nossas vidas muito mais difíceis. A dinheirama que o Estado nos rouba em forma de taxas não retorna em forma de benfeitorias, grande parte acaba no bolso de agiotas e mega empresários que são agraciados pelas leis do próprio Estado. No fundo, quem torna a competição injusta e fomenta monopólios é o Estado e não o livre mercado. Em um mercado realmente livre, empresários médios e pequenos teriam mais chances de sobreviver e gerar riquezas para o país, mas nenhum político fala claramente sobre isso e por quê? Porque nenhum deles, no fundo, quer que seja assim. Somente a diligência e o trabalho, acompanhado por uma mudança cultural, podem nos tirar da miséria.

Não há esperanças no Estado, por isso, não voto nem em Bolsonaro, nem em ninguém!

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