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Certa vez, um homem entrou na casa de um amigo e esse amigo, enquanto ele estava descuidado ou dormindo, amarrou na franja de sua vestimenta uma joia de valor incalculável feita de pedras preciosas, pensando: “Que esta joia feita de pedras preciosas seja para ele!” Então, aquele homem, levantando-se de seu assento partiu. E ele chegou a outra região do país. Ali teve dificuldades, encontrou dificuldades na busca de comida e vestimenta e com grande esforço de alguma maneira conseguia algum alimento e com ele estava satisfeito, contente, feliz.

Então, o antigo amigo desse homem, que havia atado aquela joia de valor inestimável feita de pedras preciosas na franja de sua vestimenta, voltou a vê-lo e lhe disse o seguinte: “Por que tu, ó amigo, encontras dificuldades na busca de comida e vestimenta, quando eu, ó amigo, para que vivesses feliz, amarrei na franja de sua vestimenta uma joia de valor inestimável feita de pedras preciosas capaz de favorecer todos os seus desejos?

Ó amigo, dei-te aquela joia minha feita de pedras preciosas. Eu a amarrei, ó amigo, aquela joia feita de pedras preciosas na franja de tua vestimenta. E tu na verdade não refletiste, ó amigo: “Que coisas amarraram na minha roupa?” ou “Quem amarrou isso?” ou “Qual é a causa ou por que razão amarraram isso?”

Ó amigo, és um néscio tu que, buscando dificultosamente comida e vestimenta, ficaste satisfeito. Vai, ó amigo, para a grande cidade levando essa joia feita de pedras preciosas e, lá chegando, troca-a por dinheiro. E com esse dinheiro faze todas as coisas que podem ser feitas com ele”.

Sutra do Lótus capítulo VIII K210-K211

Obviamente o texto usa de metáfora para reiterar uma verdade suprema: a natureza búdica que, mesmo dentro nós, raramente é percebida.

A natureza búdica nada mais é do que a própria Iluminação latente, a verdadeira natureza da realidade; responsável pela quebra das incessantes buscas egoístas, por botar fim aos ciclos de renascimentos e por conceder a tranquilidade da cessação do sofrimento (santam nirvanam).

Revelar a natureza búdica está representada nesta passagem do Sutra de Lótus como o aperceber-se de uma felicidade que transcende ao conceito do senso comum (o homem se considerava feliz comendo as migalhas e se vestindo com trapos). A real felicidade não está em fatores externos, longínquos, difíceis de acessar; todo o necessário já está conosco, ou seja, a pedra preciosa da budeidade já está bordada em nossa mente, basta localizá-la e usufruir de seu poder.

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A Joia Valiosa
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