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Mantras: É certo que o budismo, acima de qualquer outra religião, se adaptou ao longo do tempo, porém, lendo a história do budismo, percebi que muitas dessas transformações perderam a essência do início do movimento (época do Buda histórico) e que de tempos em tempos era necessário uma reforma, visando, não mudar tudo o que se fazia, mas trazer mais sentido e significado às liturgias, rituais, rezas, ensinamentos, etc.

 Hoje em dia tentam resumir o Dharma de muitas formas – com o argumento de que estamos numa era degenerada – tem gente que ensina que tudo se resolve através de repetições exaustivas de rituais e mantras. O mestre japonês Shinran (1173-1262), percebendo esta tendência com a recitação do nenbutsu*, rejeitou tal prática quantitativa como meio de se atingir a Iluminação. Observava com realismo a natureza degenerada e egoísta dos seres humanos, mas ao mesmo tempo, acreditava também na natureza altruísta da existência através da fé no voto de compaixão pelos seres, realizado pelo Buda Amida no Grande Sutra da Terra Pura.
 
Apesar de também acreditar na importância do mantra, pois ensinava que os indivíduos não poderiam alcançar a salvação por esforço próprio, Shinran nunca pregou inatividade ou passividade na vida religiosa. Pelo contrário, a fé deveria ser marcada por uma profunda ética, por gratidão à salvação concedida por Amida. Para Shinran, a existência ética não é destinada à conquista de méritos, mas sim um meio pelo qual a compaixão se manifesta no mundo.
 
O próprio Shinran era muito sensível a questões de justiça. Ele também percebia e criticava problemas sociais, o envolvimento da religião com o Estado, o uso da fé para promover mágica e a ênfase à realizações pessoais. Apesar do caráter manifestamente extramundano e ingênuo dos ensinamentos da Terra Pura (espécie de paraíso pós morte), Shinran dava mais atenção à vida religiosa neste mundo, insistindo na prática da benevolência; que seus seguidores pronunciassem o mantra e, concomitantemente, buscassem o bem-estar da sociedade.
 
Enfim, Shinran compartilha da minha posição em respeito a repetições e apegos exagerados aos rituais. Tentando dar mais sentido ao nenbutsu, este monge resgata a essência dos ensinamentos budistas, acreditando que o poder da recitação vai muito além de meras repetições. O mantra para Shinran era também um método de meditação e cultivo de preceitos éticos, não por benefício próprio, mas em agradecimento pela grandiosa compaixão de Buda e em favor da salvação dos demais seres.
 
*Nenbutsu a contração do mantra do budismo japonês Nanmu Amida Butsu, que significa aproximadamente: “Homenagem ao Buda Amida” ou “Glória ao Buda Amida”.
 
Fonte: Livro “A Espiritualidade Budista 2”.
 

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A Repetição de Mantras
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