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Bodhidharma aprofunda o real significado do altar e da prática budista
 
Tradução retirada do hoje restrito: http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com

A seguinte passagem foi extraída do Tripitaka chinês e é atribuída ao patriarca indiano Bodhidharma, nela, o verdadeiro significado das práticas e do altar budista são explicados.
 
Vale a pena ler.
 
Pòxiàng lùn 破相論
(Taishō; 48/2009:365a5-376b14)
 
“Em todos os sutras Buda diz aos seres humanos que é possível atingir a Iluminação realizando ações meritórias tais como a construção de templos, a fundição de estátuas budistas, queimar incenso(aos Budas), ofertar flores (aos Budas), acender lamparinas de azeite aromático (diante dos altares), praticar nos seis períodos do dia e da noite, circuambular stupas e as práticas ascéticas. Mas, se observar a própria mente  inclui todas as práticas, então tais ações pareceriam redundantes.
 
Os sutras budistas contém inúmeras metáforas. Devido ao fato de que a maioria dos seres humanos têm mentes superficiais e não entendem coisa alguma profundamente, Buda usou o comum para representar o sublime. As pessoas que buscam benefícios concentrando-se em trabalhos externos, em vez de cultivarem-se internamente, estão buscando o impossível.
 
O que vocês (chineses) chamam de “templo” nós (indianos) chamamos de sangharama, um local de pureza. Quem quer que negue a entrada dos três venenos (raiva, cobiça e ignorância), mantendo as portas de seus sentidos puras e conservando seu corpo e sua mente calmos e limpos ,interna e externamente, constrói um templo.
 
Fundir estátuas refere-se a todas as práticas realizadas por aqueles que buscam a Iluminação. A forma sublime do Tathagata não pode ser representada em metal. Aqueles que buscam a Iluminação consideram seus corpos como fornalhas, o Dharma como fogo, a sabedoria como o conhecimento da arte da fundição e os três conjuntos de preceitos e as seis paramitas como o molde (da estátua).
 
Eles fundem e refinam a verdadeira natureza búdica dentro de si mesmos e derramam-na dentro do molde formado pelos preceitos. Agindo perfeitamente de acordo com o ensinamento de Buda eles naturalmente criam uma semelhança perfeita. O corpo sublime e eterno de Buda não está sujeito aos condicionamentos ou à decadência. Se você busca a Verdade mas não aprende a se fazer semelhante a ela, o que você usará no lugar (dessa semelhança)?
 
Queimar incenso não se refere ao incenso material comum, mas ao incenso do Dharma intangível, que leva embora a impureza, a ignorância e as más ações com seu perfume. Existem cinco tipos de incenso do Dharma. O incenso da Moralidade, que significa renunciar ao mal e cultivar a virtude. O incenso da Meditação, que significa ter confiança resoluta no Mahayana. O incenso da Sabedoria, que significa a contemplação consciente do corpo e dos objetos mentais. O incenso da Liberdade, que significa romper com os grilhões da ignorância. Por fim, o incenso de Prajña-Paramita, que significa estar plenamente consciente e livre dos grilhões e dos obstáculos (à Iluminação). Esses são os cinco tipos de incenso mais preciosos e eles são infinitamente superiores a qualquer coisa que o mundo tenha a oferecer.
 
Quando o Buda Sakyamuni estava no mundo, ele disse aos seus discípulos para acender tais incensos preciosos com o fogo da consciência como uma oferenda aos Budas das Dez Direções. Mas hoje as pessoas não entendem o significado verdadeiro (das palavras) do Tathagata. Eles usam uma chama comum para acender incenso material de sândalo e rezam por uma benção futura que nunca vem.
 
Acontece o mesmo com as ofertas de flores.  Ofertar flores refere-se a pregar o Dharma, espalhar flores da virtude, com o objetivo de beneficiar os outros e glorificar a verdadeira natureza. Essas flores da virtude são aquelas louvadas pelo Buda. Elas duram para sempre e nunca murcham. E quem quer que espalhe tais flores colhe bênçãos infinitas. Se você pensa que o Tathagata disse às pessoas para que fizessem mal às plantas decepando suas flores, você está errado. Aqueles que observam os preceitos não machucam qualquer uma das miríades de formas do céu e da terra. Se você machucar algo por engano, você sofrerá as conseqüências disso. Mas aqueles que intencionalmente quebram os preceitos machucando a vida pelo desejo de bênçãos futuras sofrerão ainda mais. Como poderiam (os Budas) permitir que sofrimentos (infligidos aos seres) possam se transformar em bênçãos futuras?
 
Lamparinas de azeite aromático representam consciência perfeita. Comparando a iluminação da consciência com a luz de uma lâmpada, aqueles que buscam a liberação vêem seus corpos como o receptáculo da lamparina, suas mentes como seu pavio, o acréscimo na disciplina como seu azeite aromático e o poder da sabedoria como sua chama. Acendendo essa lamparina de perfeita consciência elas dissipam toda a escuridão e ilusão. E passando esse Dharma para os outros eles são capazes de usar uma lâmpada para acender milhares de lâmpadas. E porque estas lâmpadas da mesma maneira acendem milhões de outras lâmpadas, sua luz dura para sempre.
 
Nos kalpas passados havia um Buda chamado Dipamkara, ou “acendedor de lâmpadas”. Esse é o sentido de seu nome. Mas os tolos não entendem as metáforas do Tathagata. Persistindo na ilusão e apegando-se ao material, eles acendem lamparinas de azeite e pensam que iluminando o interior de construções estão seguindo os ensinamentos de Buda. Tolice ! A luz emitida por um Buda por sua urna (espiral de pêlos entre as sobrancelhas) pode iluminar miríades de milhões de mundos. Lamparinas de óleo não ajudam (aos Budas). Ou você crê que sim?
 
O significado de circuambular stupas é o de que a stupa é seu próprio corpo e mente. Quando sua consciência circunda seu corpo e sua mente, sem parar, diz-se “circuambular uma stupa”. Os sábios antigos seguiam esse caminho para o Nirvana. Mas hoje as pessoas não entendem o que isso significa. Em vez de olhar dentro elas insistem em olhar fora. Elas usam seu corpo para caminhar ao redor de stupas materiais. E elas ficam fazendo isso dia e noite, ficando exaustas em vão e não se aproximando de sua verdadeira natureza.
 
O mesmo acontece em práticas ascéticas como o jejum. É inútil a menos que você entenda o que elas realmente significam. O jejum significa regular, regular seu corpo e mente de maneira que eles não estejam distraídos ou perturbados. E observar significa manter a regra de disciplina de acordo com o Dharma. Jejuar é resguardar-se das atrações dos seis sentidos externos  dos três venenos internos e esforçar-se com intensa meditação para purificar seu corpo e sua mente.
 
Jejuar também inclui ingerir cinco tipos de comidas:  O deleite com o Dharma, que vem de agir de acordo com o Dharma, a harmonia na meditação, que vem da harmonia do corpo e da mente e da interação entre o sujeito cognoscente e o ente cognoscível, invocar os Budas tanto com sua boca quanto com sua mente, determinação de buscar a virtude em todas as circunstâncias e, por fim, está a libertação da mente das contaminações mundanas. Esses cinco são os alimentos do jejum. Sem comer esses cinco alimentos puros, a pessoa está errada se imaginar que está jejuando.
 
Além disso, ao parar de comer o alimento da ilusão, se você toca tal alimento novamente, você quebra seu jejum. E uma vez que você o quebre você não colherá os frutos do jejum. O mundo está cheio de pessoas iludidas que não vêem isso. Elas permitem aos seus corpos e mentes todos os tipos de males. Elas não refreiam suas paixões e não têm vergonha. E quando elas param de comer comida comum elas chamam isso de “jejum”. Que absurdo !”
 

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A Verdadeira Prática do Dharma e o Real Significado do Altar Budista
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Uma ideia sobre “A Verdadeira Prática do Dharma e o Real Significado do Altar Budista

  • 1 de maio de 2013 às 14:13
    Permalink

    É muito claro. Não há nenhuma "força mágica" atuando em prol da "justiça no universo" que é fortalecida por rituais e rezas. É a "realidade que poucos querem perceber", já diz o cabeçalho do seu blog.

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