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Nós, Budistas, somos totalmente favoráveis à vida. Somos vegetarianos por compaixão aos animais, somos contra a crueldade e contra qualquer medida arbitrária que ameace o direito mais elementar dos seres, que é o de simplesmente viver.

Por essa razão, também somos contra o Aborto.

No momento da concepção surge o zigoto, entendemos que nele já se encontra a vida humana latente. Ele pode ser microscópico, pode não ter ainda sistema nervoso, nem consciência de si; mas ali já se tem todo o potencial de um ser humano, pois ocorre a junção da carga genética da mãe e do pai.

Ali, já nos primeiros momentos após a fecundação, a razão intrínseca da natureza imediatamente age, com suas leis misteriosas, moldando, trabalhando aquelas células com o objetivo de formar o sistema nervoso e os órgãos, e os resultados já são visíveis em poucas semanas.

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Vale aqui abrir um parêntesis, ao lembrar que o zigoto não é equivalente a um espermatozoide ou óvulo. Dizer o contrário seria afirmar que uma semente de um vegetal sozinha seria igual a uma semente que germinou na terra, o que é um erro lógico grotesco. Uma semente é uma semente, uma outra que germinou já é outra coisa, é um novo estágio que contém uma nova identidade ontológica. O mesmo raciocínio vale com respeito ao espermatozoide e o óvulo, estes são “apenas frações” de um ser humano que sozinhos não subsistem, mas que quando juntos dão todo o fundamento necessário para o “vir a ser” de um novo homem ou mulher.

Para o Budista, essa sabedoria intrínseca, a qual mencionei há pouco, que dá forma ao ser, é Sagrada. Mas não é preciso entender as coisas assim para que meu argumento anti-aborto seja válido, pois, mesmo que você despreze o conceito de sacralidade, não pode negar que na concepção há uma ação imediata que começa a “montar” a vida. Isso é factual, não é “apenas” uma abstração metafísica.

Se a vida está ali, se construindo, se moldando – lutando contra a morte – manifestando seu conatus – quem somos nós para deliberadamente interromper este processo?

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É evidente que a concepção é um momento distinto da reprodução humana e, por conseguinte, o instante mais certo de se determinar o início da vida.

Um período arbitrário, a exemplo do prazo de 3 meses pós concepção, sugerido pelos abortistas, não tem força para delimitar com precisão o início da vida humana! A concepção sim, repito, é o instante mais exato, mais matemático do processo reprodutivo.

Na concepção, já existe um terceiro indivíduo, e portanto, um ser com garantias de direitos e liberdade e que não pode ser simplesmente “retirado” da progenitora, como se retira um câncer.

Este indivíduo não é apenas um amontoado de células, como uma pústula qualquer, mas sim o processo da vida em ação.

Diferentemente dos materiais genéticos separados, o novo ser não é propriedade nem da mãe, nem do pai.

O feto não pode ser entendido como um órgão ou extensão da mãe, ele não apareceu ali no útero somente por iniciativa da mãe e tem DNA distinto da mãe.

Este novo indivíduo pode até ser dependente direto da gestante, mas não é sua propriedade.

Dependência não implica em poderes ilimitados de uma pessoa sobre a outra. Por exemplo, cuidamos de animais que dependem de nós, de deficientes físicos e mentais que mal têm consciência de si e nada disso nos dá o direito de decidirmos arbitrariamente se estes seres devem ou não viver. O que legitima o direito à vida é o próprio valor ontológico do ser, que é um valor objetivo, contido em si mesmo, ou seja, que independe da perspectiva de um terceiro.

Desta forma, concluímos então que o aborto é crime.

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Mas como toda regra tem ressalvas, vou citar alguns casos delicados, em que o aborto aparece como uma opção justificável.

O Primeiro, quando há risco de morte da mãe: neste caso, o aborto seria a única solução, um remédio amargo, pois duas vidas estariam em jogo e, nestes casos, é dada a preferência à vida já nascida e plenamente desenvolvida.

O segundo caso de exceção ocorre quando o bebê é anencéfalo (não estou falando do microcéfalo, pois este ainda tem chance de viver com, pelo menos, condições mínimas de bem-estar e desenvolvimento). Um bebê com anencefalia “vive”, ou melhor respira, em média apenas algumas semanas, não reunindo a menor possibilidade de sobrevivência.

Estes dois primeiros casos são filosoficamente bem fundamentados e estão amparados pela lei brasileira.

A lei ainda permite um terceiro caso: quando há gravidez oriunda de estupro. Este caso é a permissão mais incoerente, pois está fundamentada em um sofrimento subjetivo da mãe em carregar um “filho de um monstro”. Entretanto, este “filho de um monstro” também é um ser inocente tanto quanto qualquer outro bebê, desejado ou não.

Esta lei é controversa também por dar margens à “relativização do estupro”. Por exemplo, uma mulher pode ir ao SUS e pedir o aborto alegando que foi violentada, e apenas sua palavra bastaria – não sendo necessário nenhum exame clínico ou decisão judicial para se evidenciar a violência sexual. Isto abre margem para que uma pessoa mal intencionada aborte por outras razões e se justifique por meio de um suposto estupro que na verdade não aconteceu.

Talvez a melhor saída, em caso de estupro, seria colocar a criança para a adoção, ao invés de abortá-la. Mas, como a realidade está longe de ser ideal, entendo e não julgo qualquer mulher que, movida pelo desespero, tenha decidido pela interrupção de sua gravidez nestas circunstâncias.

O que para mim é inadmissível é a defesa do aborto como um “método contraceptivo”.

Um dos argumentos pro-aborto mais falacioso é aquele que afirma ser melhor “uma criança não existir” do que “vir a existir e sofrer”. Este argumento é injusto e ilógico, pois não podemos condenar uma pessoa que sequer nasceu. Não somos deuses oniscientes!

Não podemos infligir a pena máxima a alguém que nem ao menos teve a oportunidade de viver. Não podemos deliberadamente decidir pela morte de um inocente, simplesmente porque não “era a hora certa” dele nascer ou porque este não se constituiu “perfeito como deveria”. É preciso que nos responsabilizemos pelos nossos atos, que respeitemos a vida e que assumamos nosso papel de cuidadores e educadores amorosos. Ser pai ou mãe não deve ser encarado como um “peso”, mas como uma responsabilidade e uma bênção. Recorrer ao aborto deve ser exceção, nunca regra!

Enfim, penso que por trás desta defesa indiscriminada do aborto se esconde o discurso da liberalidade sexual. As pessoas querem sair por aí transando sem compromisso e sem mais a intenção de formar família, querem viver de forma desregrada, mas sem arcar com as consequências de seus atos.

Defender valores pode parecer pra você apenas um “moralismo” ultrapassado. Contudo, tente, por um minuto, imaginar o caos que seria uma sociedade sem referências morais mínimas. Imaginou?

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O Aborto segundo o Budismo
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