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Fudō Myō-ō
不動明王

Retirado do hoje restrito: MUNIZ, A. O. ASSIS. Budismo Aristocrático. http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com. Acessado em 04/10/2015

Deidade central da classe dos Myō-ō, importante no Budismo Esotérico japonês (Mikkyō), seu nome significa Grande Rei Imovível, pois sua confiança é inabalável.
Porta consigo Kurikara, a espada que subjuga o demônio (a sabedoria penetrante que despedaça a ignorância), segura uma corda na mão esquerda para amarrar os seres malignos que tentam fugir (a capacidade de acalmar a mente irriquieta que se agita) e permanece sobre uma rocha (nunca se abala).
Fudō possui duas presas à mostra. Uma surge do maxilar inferior, apontando para cima (o constante progresso) e outra no superior, apontando para baixo (nunca se esquece dos que ainda estão nos mundos inferiores). Cercado de chamas, transforma sua fúria em energia que é usada para a libertação da ignorância, queimando o apego ao mundo fenomênico e purificando a mente.

Principalmente representado no Japão, Fudô Myoo, cujo nome esotérico é Jôjû Kongô (o diamante eterno e imutável), mestre dos cinco grandes reis da Sabedoria Esotérica, correspondente à forma sânscrita de Acalanatha, o Vidyârâja de corpo verde escuro ou negro, “o Imutável”. É o destruidor das paixões. Nas doutrinas do esoterismo, é considerado como um “corpo de manifestação” (Nirmânakâya) de Vairocana que personifica a firmeza de espírito e a vontade de destruir o mal. Possui como símbolo uma espada segurada verticalmente em torno da qual se enrola um dragão (jap. kurikara) rodeado de chamas. Seu halo de chamas é o consumidor das paixões. É citado pelo nome nos sutras e particularmente no Mahâvairocana sutra (jap. Dainichi-kyô). Ele assume, “contra os obstáculos, a energia do próprio adepto”, mostrando assim a potência da compaixão de Vairocana. Sua espada é usada para combater os três venenos: cobiça, ira e ignorância. Em sua mão esquerda ele tem uma corda (pasa) para amarrar e deter as forças do mal e lhes impedir de molestar. Fudô Myoo também fez o voto de prolongar em seis meses a vida dos fiéis e de lhes dar uma inquebrantável resolução de vencer as forças do mal; ele é, às vezes, por isso, invocado como “prolongador da vida”. Na mandala Vajradhatu ele é uma manifestação terrível de Kongo Rikishi e está situado ao nordeste, de onde ele protege os homens das más influências.

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Na mandala Garbhadhatu ele é a força de Vairocana e se encontra colocado a oeste dele.

Acalanatha é, às vezes, identificado com outro Vidyaraja, Uccusma Vidyaraja (jap. Ususama), divindade dos lugares nauseabundos; desta maneira ele se encontra colocado (nos templos budistas) próximo aos locais imundos. No comentário escrito pelo peregrino chinês Yijing (jap. Gijo) sobre o Mahavairocana sutra, Acalanatha, enviado por Buda contra Mahesvara (uma forma do deus hindu Siva) para o converter, foi inundado de substâncias fétidas por esta divindade (pois na magia este é um meio de romper feitiços). Acalanatha, incontinente, devorou estas imundícies e submeteu sob seus pés Mahesvara e sua esposa Uma.

Ainda que não se conheça mais as representações de Acalanatha na Índia sob a forma que lhe é atribuída na China e no Japão, geralmente se considera que ele corresponda (assim como os outros Vidyarajas) à uma evolução de antigos tipos de gênios do folclore indiano, e que ele possa vir mais diretamente de uma das formas do Yaksa Vajrapani citadas no cânon páli. Em qualquer uma das suas representações encontradas na China nas grutas de Dunhuang, no Tibet e no Nepal ele é, às vezes, chamado por um de seus aspectos tântricos, Kalamañjusri (Mañjusri negro).

Seu culto e suas imagens foram introduzidas no Japão no início do século IX por Kukai, e formaram depois um dos elementos essenciais das doutrinas da seita Shingon, onde ele é um dos treze Budas. É também a forma dita Kongo-Rikishi da manifestação em duas formas de Vairocana (dois Nyoo, dois “bons reis”). Sob este aspecto ele é o rei da boca fechada, símbolo da força latente, e tem na mão um vajra.

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No Tibet, Acalanatha é chamado Acala-Vajrapani e é um Dharmapala. Ele é representado com quatro faces, quatro braços e quatro pernas, pisando demônios. Ele tem a espada, a corda, um vajra e uma calota craniana.

Se ele jamais gozou de uma grande popularidade no Tibet e na China, ao contrário, este Vidyaraja foi o mais venerado de todos os tempos pelo povo japonês que lhe dedica numerosíssimos pequenos altares e o assimilou sincreticamente como um Kami do Xintoísmo. A imagem de sua espada é, às vezes, ofertada nos e-ma ou plaquetas votivas dos santuários Xintô, a fim de agradecer Fudô por sua proteção contra as diversas calamidades temidas pelo povo.

Acalanatha é, na maioria das vezes, representado sobre uma rocha de pedras preciosas. Em uma passagem dos “Ritos Místicos do Dharani de Acala o Mensageiro” (jap. Fudôshisha Darani Himitsu Hô) ele é descrito como tendo o corpo vermelho e amarelo. As chamas que envolvem seu corpo simbolizam então as paixões e o abrazamento de todas as impurezas que estão conectadas ao coração humano. Acalanatha é mais habitualmente representado com o corpo verde escuro, vestido com um manto vermelho que deixa a espádua descoberta. Ele é colocado sobre uma rocha simbolizando o Monte Meru da mitologia indiana e sua vontade inquebrantável. Ele é, às vezes, colocado sobre um trono (mais raramente sobre um lótus) na posição Vajraparyankasana ou em Vajrasana, mais raramente em Maharajalilasana. Uma auréola de chamas, às vezes com uma dupla auréola redonda, envolve-lhe todo o corpo. Ele tem um longo cabelo eriçado ou arranjado em uma grossa trança que recai sobre seu ombro esquerdo. Seu aspecto é ameaçador, suas sobrancelhas são franzidas, um de seus olhos está semi-cerrado (o esquerdo, geralmente); o outro olho é vermelho. Seus lábios deixam entrever dois dentes, um dirigido para baixo e o outro para cima. O que está dirigido para cima morde o lábio superior, enquanto que o que está dirigido para baixo morde o lábio inferior.

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Conhecem-se numerosas formas que, ainda mantendo as características gerais, variam em relação a certos detalhes:

– Com dois braços (o mais comum): possui um corpo maciço, um manto verde e vermelho. Ele tem sua espada (jap. Sankotsuka-no-ken, com um punho vajra de três pontas, ou Tokkotsuka, com um punho vajra de uma ponta) na mão direita, na esquerda tem uma corda terminada por um gancho em cada extremidade (jap. Saku, Ryusaku, Kensaku) ou por um vajra nas duas pontas. Há ainda a corda que coloca os dois elementos, um em cada ponta;

– Com quatro braços (jap. Chintaku-Fudô): as características principais são idênticas à forma precedente, os braços adicionais estão em punhos de Fudô (Fudô-In) à altura dos olhos. Ele pode ser representado assim com quatro faces e quatro braços. Possui um corpo amarelo e é considerado como “Destruidor dos inimigos” do Budismo;

– Com seis braços, seis faces e três olhos: a face central é sorridente, a face direita é amarela com uma língua pendente. A face esquerda é branca com uma expressão enfurecida. Seu corpo é azul escuro. Suas mãos direitas portam uma espada, um vajra e uma flecha; e suas mãos esquerdas, uma corda, o rolo do Prajñaparamitasutra e um arco.

Na pintura japonesa, três imagens de Fudô são particularmente célebres e veneradas, são os três veneráveis Fudô (San Fudô Son):

– Aka Fudô, de cor vermelha, tendo ao fundo chamas, na mão direita tem uma espada onde está enrolado um dragão, a mão esquerda segura uma corda (século XIII);

– Ki Fudô, de cor amarela, colocado em pose estática sem acólito. É atribuído ao monge artista Eshin (942-1017). É a mais antiga representação pictórica de Fudô no Japão;

– Aoi Fudô, de cor azul escura, cercado de chamas, sentado sobre uma grande rocha. Seu desenho é traçado em linhas “fio de ferro” (Tessenbyô).

As outras imagens de Fudô mais conhecidas são: com dois acólitos e uma corrente; apoiado sobre sua espada.

Acalanatha é, geralmente, acompanhado de oito acólitos (jap. Dôji) crianças, dois pelo menos, Kongara e Seitaka, são representados perto dele.

Ainda que Fudô tenha, teoricamente, dois, oito, trinta e seis ou mesmo quarenta e oito acólitos, ele é mais comumente representado somente com dois deles, Kongara e Seitaka. Os oito acólitos meninos de Fudô são igualmente, às vezes, atribuídos como mensageiros de Zaô Gongen, que é, algumas vezes, assimilado ou identificado com Fudô. Seus mensageiros são venerados como tais no Monte Kinbu, no santuário Xintô de Kumano Ôji.

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ACALANATHA (jap. Fudô Myoo; chin. Budong Fo)
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