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Você pode falar um pouco mais sobre a natureza do sofrimento [dukkha]?

Fonte: Google Imagens

Dukkha é qualquer coisa que perturbe a paz e o equilíbrio natural da mente. A mente, assim como o corpo, é um elemento da natureza, como as folhas, a grama, os lagos, etc. Tem a sua própria paz e equilíbrio, mas este estado é facilmente perturbado, pois ela é vulnerável a humores e emoções, reage e fica chateada, como o vento que sopra as folhas e a grama ao redor de uma lagoa, perturbando a calma superfície da água. Assim, dukkha é resultado de toda a experiência oriunda das paixões humanas, a exemplo da ganância, inveja, frustração, decepção, desespero, depressão, tristeza, dor, ódio, ciúme, ressentimento, má vontade, medo, preocupação, ansiedade, culpa, obsessão, a solidão, o tédio, etc.

Dukkha também significa que todas as coisas, físicas, mentais e emocionais são impermanentes e transitórias, e, portanto, insatisfatórias e pouco confiáveis. Bens materiais, prazeres dos sentidos, sentimentos, ideias, entre outras coisas, são efêmeras e não podem oferecer ao homem felicidade permanente, satisfação e segurança. Afinal, a felicidade é apenas um estado temporário da mente, ou seja, somente uma condição mutável. Uma sensação de prazer, uma experiência agradável ou uma situação confortável não são permanentes, elas não duram para sempre, mudam cedo ou tarde. E quando estas mudanças ocorrem sentimos desconforto mental, doença, frustração, desilusão e desespero. O Buda – percebendo que a existência do mundo é condicionada, dentro e fora de nós mesmos, como um fluxo constante, incessante e de estados insatisfatórios – ensinou o desapego (ver texto sobre a Quarta Nobre Verdade).

Dukkha permeia o nascimento, a doença, o envelhecimento e a morte; Dukkha é estar com pessoas desagradáveis, estar em ​​extremas condições meteorológicas, como o calor ou frio, chuva, inundações, tempestades, terremotos, etc.; Dukkha é estar separado de pessoas queridas, não conseguir o que se deseja, não estar satisfeito com o que se tem, é, enfim, a frustração de expectativas não cumpridas.

O sofrimento se manifesta principalmente devido ao desejo egoísta e aos apegos. As pessoas vivem em constante apego à experiências agradáveis, como a aquisição de coisas materiais, o desejo de vida eterna, as paixões sexuais, entre outras. Todos nós gostamos de boa comida e bebida, música bonita, companhias interessantes, etc. Vivemos querendo mais e mais dessas coisas. Tentamos prolongar e obter mais e mais desses prazeres, despendendo, para isso, uma grande quantidade de esforço, tempo e dinheiro. E ainda, de alguma forma, nunca estamos completamente satisfeitos. Quando começamos a comer nossa comida favorita todos os dias, nos entediamos rapidamente. Experimentamos outro tipo de comida, gostamos, desfrutamos e novamente ficamos enjoados com ela. Então, vamos procurar outra coisa. Nos cansamos da nossa música favorita. Nós nos cansamos de nossos amigos [e amantes]. Procuramos novas experiências. Às vezes, essa perseguição a experiências agradáveis ​nos ​leva a formas muito insalubres de comportamento, como o alcoolismo, o vício em drogas, a infidelidade, a obsessão sexual e as compras compulsivas. Costuma-se dizer que tentar satisfazer o desejo de prazeres sensoriais é como beber água salgada para matar a sede: em vez de ser extinguida, esta só aumenta.

O desejo de bens materiais está envolvido com três grandes sofrimentos ou problemas. O primeiro é a dificuldade de obtenção da riqueza. Você tem que trabalhar muito e economizar o suficiente para comprar uma casa ou carro: há a hipoteca, o pagamentos de juros, entre outras taxas. Em segundo lugar, há a preocupação e a ansiedade em proteger e manter a riqueza. E, finalmente, há o sofrimento em perdê-la, porque, mais cedo ou mais tarde, essas posses materiais se desintegrarão. Do mesmo modo, no âmbito dos relacionamentos, nossos amigos e familiares não duram para sempre. Um casamento pode acabar, nossos entes queridos podem, do dia para noite, adoecer e morrer. Enfim, nada é fixo ou isento de dor. Toda vez que nos apegamos a estados transitórios agradáveis como se fossem eternos, sofremos.

[continua] parte 2: O Medo e o Apego

Fonte: An Inquiring Mind’s Journey – Bhante Kovida

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Dukkha: a natureza do Sofrimento #01
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