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Olá.. gostaria de tirar uma dúvida, todos os sutras são confiáveis (que teriam origem dos ensinamentos do Buda)? Ou há alguns que não são?

Ótima pergunta!

Não saberia dizer se todos são confiáveis, pois há milhares e milhares de Sutras e outras escrituras budistas e não as conheço em sua integralidade ainda (provavelmente não terei tempo hábil em vida para ler toda esta vasta biblioteca). Por outro lado, posso afirmar que tenho visto uma satisfatória coerência naqueles que li até o momento, há algumas aparentes contradições aqui e ali, mas nada muito alarmante.

Posso citar dois exemplos destas supostas contradições:

Primeiro, que em um Sutra Hinayana Buda permitiu aos monges que comessem carne caso a recebessem de esmola e tivessem certeza de que um animal não fora abatido especialmente para eles, já nos Sutras Mahayanas há severas proibições ao consumo de carne, sem ressalva alguma. Esta aparente divergência na verdade pode ser explicada porque a concessão aos monges era um caso de exceção e não uma regra, ou seja, foi uma permissão dada em um contexto específico, sendo apenas uma “regra” temporal para um grupo de discípulos daquela época; a carne, neste caso, pararia nas tigelas dos mendicantes praticamente por acidente. A proibição no Mahayana, no entanto, se aplica a uma “regra” atemporal que deve ser seguida por todos os Budistas. Não somos mais monges com tigelas na mão, vivemos em um mundo onde podemos facilmente e de maneira ética escolher nossa alimentação em supermercados, evitando, assim, produtos que tenham em sua origem a morte e o sofrimento dos animais.

Um segundo exemplo ocorre quando Buda proíbe a cebola e o alho considerando-os afrodisíacos. Esta proibição se justifica porque estes vegetais poderiam atrapalhar a vida de castidade dos clérigos. Atualmente, sabemos que esta asserção não é verdadeira, pois a ciência já a desmistificou.

Os Budistas não devem considerar os Sutras como infalíveis ou divinamente inspirados, estas escrituras são tão somente fontes de reflexões, materiais de auxílio para nossa busca pessoal da Verdade. Ao interpretar o cânone, não podemos ser literalistas demais, tampouco liberais demais a ponto de considerar todas as regras como ultrapassadas. Mais uma vez, o Budista deve se manter no Caminho do Meio, contextualizado os ensinamentos, separando as recomendações temporais e atemporais e assimilando o conteúdo da literatura com bom senso e criticidade.

Por fim, as Escolas costumam elencar seus Sutras de referência. A Tendai, por exemplo, considera o Sutra do Lótus e o Sutra Mahayana do Nirvana como seus principais. Entretanto, isso não a impede de admitir a importância de outros textos, pelo contrário, a Tendai procura encontrar um fio condutor entre todo o cânone. Apenas com o detalhe de que a leitura dos demais escritos sempre é feita à luz dos Sutras de referência.

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Dúvidas de Leitores (5) – Todos os Sutras são confiáveis?
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