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por Marcelo Prati
 
Além de transpor as doutrinas para a vida de uma forma prática, dentro de um contexto realista e atual, os budistas também possuem uma série de “exercícios” – também diários – como recitar os textos sagrados, meditação, estudos e vários desses exercícios acontecem de frente a um altar. Esse altar possui alguns elementos básicos que devem estar presentes, mas de uma maneira geral, o que importa realmente é que tais práticas façam verdadeiramente algum sentido, pois não há nada de mágico ou sobrenatural nos objetos que estão lá. Eles não tem significado em si próprios. O respeito pelos objetos sagrados vem justamente da nossa própria percepção da mensagem que eles passam a carregar. No texto Pòxiàng lùn (T.48/2009:365a5), atribuído a Bodhidharma (século IV), consta:

“Os sutras budistas contém inúmeras metáforas. Devido ao fato de que a maioria dos seres humanos têm mentes superficiais e não entendem coisa alguma profundamente, Buda usou o comum para representar o sublime. As pessoas que buscam benefícios concentrando-se em trabalhos externos, em vez de cultivarem-se internamente, estão buscando o impossível.”

Nessa série curta veremos os principais elementos do altar (inclusive com textos e dicas que já foram postadas aqui no blog), seus significados e também algumas reflexões. Os principais objetos do altar simbolizam as paramitas (perfeições) que os budistas trabalham em seus corpos e mentes. Sendo assim, resumidamente, através da compreensão clara do que significam, em cada gesto e em cada vez que a gente observa os paramentos que compõem o altar, esse significado vem à tona em nossas mentes.
 
Parte 1. O Incenso
 
O incenso no altar representa a Paramita Śīla: a moralidade, a virtude. A moralidade budista é expressa através dos preceitos. Os cinco preceitos para os leigos que estão definidos nos sutras são: não matar, não tomar o que não foi dado, não usar fala enganosa, não ter conduta sexual imprópria e não se intoxicar. Viver de acordo com tais preceitos espalha ao redor fragrância suave e agradável da moralidade e da virtude.

“Queimar incenso não se refere ao incenso material comum, mas ao incenso do Dharma intangível, que leva embora a impureza, a ignorância e as más ações com seu perfume. (…) O incenso da Moralidade, que significa renunciar ao mal e cultivar a virtude. (…) Quando o Buda Sakyamuni estava no mundo, ele disse aos seus discípulos para acender tais incensos preciosos com o fogo da consciência como uma oferenda aos Budas das Dez Direções. Mas hoje as pessoas não entendem o significado verdadeiro das palavras do Tathagata. Eles usam uma chama comum para acender incenso material de sândalo e rezam por uma benção futura que nunca vem.” (Bodhidharma, Pòxiàng lùn)

“Quando o incenso estiver aceso deve-se recitar estes versos:
O incenso da moralidade, concentração, sabedoria,
O conhecimento e a experiência da libertação, constantemente perfumam,
Estendendo-se em todas as dez direções do espaço;
Desejo que a fumaça deste incenso se propague da mesma maneira.” (Sutra dos Méritos de se Banhar o Buda)

A fragrância das flores não vai contra o vento
Tampouco do tagara, jasmim ou sândalo;
Mas do bom homem a fragrância vai contra o vento:
Seu perfume dissemina por todos os quarteirões o homem virtuoso.
Sândalo, tagara ou mesmo lótus e jasmim:
Destes todos tipos de fragrância, é suprema a fragrância da virtude. (Dhammapada c.IV v.54, 55) 

Que o aroma da moralidade perfume nossas vidas através do desenvolvimento da virtude.

 

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Elementos do Altar – Parte 1 – O incenso
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