Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Padmapani Avalokiteshvara
Padmapani Avalokiteshvara

Japonês: Renge
Chinês: Lien-hua
Sânscrito: Padma

A Flor de Lótus (FL) é um dos símbolos mais antigos do Budismo e de outras religiões orientais. Este ícone tem uma quantidade grande de significados. Vamos conhecer os principais?

A FL, por nascer praticamente sozinha, em um ambiente hostil, ao invés de uma “terra firme”, é um símbolo de independência e “auto-manifestação” (svayambhu). Quando a FL aparece como um trono, ocupado por alguma figura Budista, ela indica “nobreza espiritual” e “nascimento divino”. Os Budas, assim como as Flores de Lótus, existem “por eles mesmos” e são senhores de si próprios.

Quando a Flor é oferecida às “divindades” Budistas, o fiel está simbolizando sua “rendição” à Real Natureza, sua completa entrega ao propósito de vida tipificado pelo Dharma. O Lótus, na água, representa comumente o fundamento (prthivi) ou “Substância da existência”, aquilo em que a existência se estabelece firmemente em meio a um mar de causalidades.

Nas seitas Amidistas, acredita-se que há uma identificação entre a FL e os seres sencientes. Há uma lenda que diz que, ao nascimento de um Budista, uma Flor de Lótus, representando esta pessoa, nasce concomitantemente em uma lagoa na Terra Pura de Amida; de acordo com o proceder deste praticante, esta FL desabrocha ou murcha, dependendo das boas e más ações praticadas.

O Lótus cresce na lama e mesmo assim desenvolve-se de maneira imaculada acima do nível da água, sendo puro e perfeito; da mesma maneira com que um Buda nasce no mundo, mas está acima dele, não se deixando iludir por ele. Assim como a FL, cujos frutos estão maduros no momento da floração, a Verdade, ensinada pelo Buda, produz imediatamente o fruto da Iluminação.

“Assim como, Irmãos, um Lótus nascido na água, crescido na água, sobe à superfície e não é molhado pela água,da mesma forma, Irmãos, o Tathagata, nascido no mundo, crescido no mundo, supera o mundo e não é afetado pelo mundo”

Samyutta Nikaya, III, 140

A FL ontologicamente significa uma sólida base em meio às instabilidades da vida; aquela nasce e se manifesta primeiramente no mundo inteligível (Kongokai) e depois também no mundo dos sentidos (Taizokai), o que significa, eticamente, que o Budista está no mundo natural, mas ao mesmo tempo não é apegado a ele.

A Flor torna-se por extensão um símbolo do verão, época de frutificação e de força espiritual e material. No Budismo Esotérico a FL é um emblema que representa o princípio feminino. Este símbolo aparece no mantra “om mani padme hum”: o Lótus (padma) representa o elemento material (Taizokai) e a Joia (mani) o elemento espiritual (Kongokai). O mesmo raciocínio é válido quando a FL aparece em um vaso, representando a união entre o espiritual e o material, respectivamente.

Os Lótus podem ser divididos em três grupos principais de acordo com suas cores:

O vermelho com pétalas arredondadas, o azul com pétalas pontiagudas e o branco. Estes Lótus podem ter diferentes formas. O vermelho (padma) é usualmente apresentado totalmente aberto, com seu centro (botão) exposto, enquanto o azul aparece com as pétalas para cima ou com algumas fileiras de pétalas abaixadas, o centro, nesta modalidade, fica sempre escondido.

Exemplos de divindades Budistas que aparecem segurando a Flor de Lótus
Exemplos de divindades Budistas que aparecem segurando a Flor de Lótus

Na China e no Japão, para as deidades que carregam a Flor na mão ou em um vaso, a versão em que aparece o botão de Lótus é a mais comum. Também há várias variações do formato dos botões. Algumas formas são encontradas especialmente em pinturas.

Lótus de 3 e de 5 caules
Lótus de 3 e de 5 caules

Há ainda o Lótus de três caules, que simboliza as três divisões da Mandala Taizokai (Buda = Vairocana, Lotus e Vajra), e do mesmo modo, as Três Virtudes de Buda (Grande Concentração, Grande Conhecimento e Grande Compaixão). O Lótus de cinco caules representa os Cinco Conhecimentos do Kongokai.

A FL completamente aberta é vista com maior frequência com oito pétalas, que simbolizam o Caminho Óctuplo; o centro circular representa o Ensinamento do Buda. Existe uma conexão entre o Lótus com oito pétalas e a Roda da Lei de oito raios (temborin-in). Ambos apontam para a superioridade e a força do Dharma. Nas esculturas, a FL pode servir como um trono, sustentando a deidade tanto em pé quanto sentada, “as folhas de Lótus servem para sustentar todos os mundos”. Buda se assenta no Lótus como um Rei Universal, enquanto as outras figuras, quando se assentam, assumem essas qualidades simbólicas de autoridade e nobreza representadas pelo trono em forma de Lótus.

Misericórdia e Compaixão também são simbolizados pela FL e estas são as características mais marcantes do Bodisatva Padmapani (Kannon). Por essa razão, nas esculturas e pinturas indianas, é muito comum ver esta divindade segurando uma destas flores. Na China e no Japão, o Lótus também é um “artefato” visto com bastante frequência nas mãos de Kannon [jp] (Kuan-yin [ch] ou Avalokitesvara [sk]).

O Lótus também pode ser visto em outras divindades, por exemplo, nos Reis do Conhecimento (myo-o); em Jizo, que pode ser representado com um Lótus amarelo abaixo de um de seus pés e com um branco no outro; em Amida e Shakyamuni.

De acordo com a tradição, após obter a Iluminação, o Buda histórico hesitou em ensinar sua Doutrina. Ele decidiu mudar de ideia quando teve a seguinte “visão”: Seres Sencientes apareceram como se fossem muitas Flores de Lótus; algumas destas flores conseguiam sair debaixo da água e se elevavam à luz, estas não necessitavam de ajuda; outras, no entanto, estavam tão profundamente imersas que não havia esperanças para elas; tinha ainda um terceiro grupo de flores próximas à superfície da água que, com um pouco de assistência, poderiam alcançar a luz. Buda, então, se convenceu que através da pregação de Sua Doutrina, teria chances de trazer este último grupo ao pleno desenvolvimento.

Entre outras deidades que também tem a FL como atributo, vale destacar: Jishibosatsu (Miroku) da Mandala Taizokai, situado na parte nordeste desta mandala, carregando um vaso de Lótus na mão direita; e Monju, segurando uma FL que representa o ensinamento do Dharma.

Fonte: E. Dale Saunders. Mudra – A Study of Symbolic Gestures in Japanese Buddhist Sculpture. Bollingen Foundation. New York. 1960. Traduzido por Rev. Sandro Vasconcelos.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
(Visited 371 times, 1 visits today)
A Flor de Lótus
Classificado como:                    

Mostrar
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Canal no Youtube
Esconder
error: Este conteúdo pode ser divulgado sob permissão do autor - contato@rodadalei.com.br