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Fonte: Google imagens

Penso que a Iluminação não é um objeto de fé ou dogma
, pois ela pode ser descrita racionalmente e logicamente como um estado de não ilusão e desapegos. Ser um Buda é viver o Dharma em plenitude, é o encontro do homem com sua real natureza, é enxergar além das sombras da “caverna de Platão”. Tudo isso pode ser compreendido intelectualmente, sem a necessidade de se postular algum dogma. Budismo é uma espiritualidade não dogmática exatamente porque é “dedutível”, não é uma religião “do livro sagrado”, mas da plena consciência de nossa função e de nossas ações no mundo.

A definição de Iluminação é passível de ser inteligida. Podemos, por exemplo, supor a existência de uma pessoa que diariamente se desvencilha das ilusões rumo a um estágio de total desprendimento. É, ainda, bastante plausível assumir que alguém, dia após dia, consiga se aperfeiçoar na prática das virtudes até alcançar um elevado grau de auto domínio. Nesse sentido, pode-se dizer que a Iluminação é um conceito não dogmático, ou seja, compreensível pela “razão e pela lógica”. Através do raciocínio, entendemos o que é a Iluminação sem precisar necessariamente ser um iluminado, compreendemos claramente o que devemos ser e o quão longe estamos deste alvo. Não me parece que Buda falaria sobre um objetivo o qual teríamos que acreditar cegamente, sem nenhum embasamento racional. Os Sutras, é verdade, falam em alguns momento sobre a fé, contudo, esta fé nada tem a ver com a fé teísta. A fé Budista está muito mais para a ideia de inteligibilidade do que uma crença às cegas, seria mais ou menos como a “fé pública” dada em um cartório: “o referido é verdade e dou fé”, ou coisa que o valha. Há uma matéria muito interessante do meu amigo Fernando Pizzocaro sobre a fé Budista que pode ser acessada aqui.

A meu ver seria perfeitamente possível alcançarmos a Iluminação sem ao menos termos um único conhecimento do Budismo como religião. A Iluminação não é um conceito propriamente Budista e pode se resumir simplesmente pela busca da Verdade. Sidarta não conhecia um Budismo institucionalizado quando se iluminou, nem nenhum Sutra, nem mestre ou nada do tipo. Não que mestres e escrituras não sejam importantes ou não ajudem no Caminho, mas não são estritamente necessários. Gautama não é um deus, mas uma pessoa como nós (no sentido humano do termo), que se aplicou muito e chegou a um nível espiritual possível a todos.

A Iluminação não pode ser um dogma, pois ela faz sentido e é demonstrável. Quantas pessoas já se sentiram mais serenas, comedidas e venceram sofrimentos com a prática? Não se sentiram com isso mais “iluminadas”, mais conscientes e menos vulneráveis às vicissitudes da vida? O conceito é perfeitamente verossímil, diferentemente da fé cristã que, por outro lado, postula coisas sem nenhum correspondente na realidade. No cristianismo temos que crer, só para ilustrar, que Deus existe, que é trino, que Jesus nasceu de uma virgem, que morreu e ressuscitou, entre outros “acontecimentos” espetaculares; já no Budismo, não precisamos fazer um esforço imaginativo desta magnitude.

Por isso o Budismo não pode ser encarado como simplesmente uma religião, ele é algo mais do que isso e muitas vezes é até uma “não religião”, parece paradoxal, mas é por aí. Eu considero o Budismo, na maioria dos casos, como algo entre religião e filosofia, um “Caminho do Meio” entre estas duas concepções.

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A Iluminação é um dogma?
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