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por Marcelo Prati

Meu altar doméstico.
 
Outro dia conversava com uma amiga sobre o altar. Mostrei uma foto do meu altar doméstico e isso trouxe pra conversa o tema da representação dos personagens na forma de imagens e os conceitos que eles representam. No início ela demonstrou certa estranheza, me perguntando a razão do meu altar ter “tantas imagens” enquanto no dela havia apenas um pergaminho (além dos objetos comuns a todo altar doméstico), uma mandala inscrita pelo sacerdote Nichikan (séc. XVIII) baseado por sua vez em uma das várias e diferentes mandalas inscritas pelo monge Nichiren no século XIII. Hoje ainda existe uma quantidade considerável das mandalas de Nichiren preservadas, escritos por sua própria mão, algumas até contendo ilustrações, como você pode ver neste video:
 

 

Essa pergunta acabou dando numa brincadeira. Eu, com muito bom humor, fiz uma “aposta” de que no altar dela teria mais imagens representadas do que no meu. A gente riu um pouco e eu me expliquei melhor.
 
Essa é a mandala em questão.
Mandala inscrito por Nichikan
baseado na ideia de Nichiren.
 
Mas o que é isso? Simples. Ao invés de uma versão dispendiosa, colorida, cheia de representações imagéticas, ele usou texto. Lembre-se que a confecção de uma mandala era cara, manual, pintada sobre tecido, trabalhosa, demorada… E mandalas onde as imagens eram substituídas por texto, ou por sílabas mântricas sânscritas (como Nichiren usa nas laterais representando Aizen e Fudo) já existiam. E ele obviamente conhecia, pois havia estudado o esoterismo Tendai. Então fiz isso pra ilustrar. Nichiren estava sempre na pindaíba, perseguido, ameaçado de morte… Dava pra ficar encomendando mandala de luxo? O objetivo dele era espalhar sua ideia para o máximo de pessoas possível, dada a degeneração do Budismo na época (imagina então se fosse hoje…), já que temia sempre pela sua vida e pela continuidade da doutrina. E pra quem nunca entendeu o que estava no tal do Gohonzon, eu fiz essa montagem. Lá vai:
 
A minha “tradução” do Gohonzon
em questão.
Então, com o mesmo bom humor: qual altar tem mais imagens?
Alguém pode dizer:
– Ah, mas no Gohonzon elas têm um significado!
– Sim, na forma de imagem também. Assim como no meu altar doméstico. Afinal, ninguém adora pedaços de papel com desenhos… isso seria meio bobo, não acha?

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