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Espero, NÃO com muita fé, que o caso “Instituto Royal”, mesmo com suas incoerências, como a presença de vândalos e o choro hipócrita em cima dos beagles “fofinhos”, ajude a sociedade a despertar para uma discussão ética a respeito dos testes em TODAS as espécies de animais. Como budista não creio no antropocentrismo judaico-cristão, que considera que os animais são destituídos de uma alma imortal e que foram criados por “deus” para servir ao homem, o “rei” da “criação”. Com efeito, acredito que não há nada que diferencie a vida de um animal e a vida de um humano, assim, defendo veementemente que a experimentação animal seja abolida e que novas tecnologias sem crueldade se desenvolvam. Sei, por experiência, que a argumentação de que as cobaias são bem tratadas, não sentem dor ou que o laboratório está sob fiscalização rigorosa não passa de balela e não garante qualidade de vida aos bichos.
Alguns até podem me questionar como sendo radical e hipócrita, haja vista que, provavelmente, use, mesmo que vez ou outra, remédios e vacinas que certamente são experimentados em outras espécies. A isso respondo: que diferença faria se eu, por exemplo, não tomasse uma vacina, ficasse doente e me sacrificasse? Minha debilidade ou morte fariam com que os experimentos parassem? Mudariam a consciência de toda uma população que do dia para noite começaria a boicotar marcas de medicamentos e cessaria o consumo de carne? Em termos práticos a resposta é “não”, pelo contrário, além de morrer cedo (o que não desejo), levaria para o caixão o estereótipo de fanático. A única alternativa que me resta então é adquirir a menor quantidade possível de produtos oriundos do sofrimento dos seres; procuro também cuidar da minha saúde com exercícios físicos e boa alimentação, para que não fique frequentemente doente e precise de remédios. Enfim, por que eu me sacrificaria se posso seguir o caminho da conscientização? Procurar pensar na origem do que consumo e procurar humanizar as pessoas ao meu redor me faz hipócrita? Acredito ser mais racional permanecer vivo e ser um exemplo de vida equilibrada, do que agir emocionalmente considerando-me um “Jesus Cristo dos animais”, mesmo porque o fato de sermos obrigados a nos utilizar de insumo animal atualmente, não nos isenta de procurarmos soluções éticas e incentivarmos o debate constante sobre o tema da vivissecção.
Mas voltando ao assunto abordado no primeiro parágrafo, disse ter pouca fé na manifestação do Instituto Royal por dois motivos: primeiro, porque o movimento ocorreu de maneira burra, com depredação e invasão de propriedade privada, causando a impressão de que os ativistas pelos direitos dos animais apenas seguiram a onda dos protestos em geral e que o objetivo era mais destruir a propriedade do que salvar os animais. Segundo, porque o assunto foi debatido na WEB por vegetarianos despreparados, cegos pela ideologia esquerdista. Caíram como patos na estratégia vermelha de invadir um grande laboratório, resgatar beagles (uma raça “fofinha”, capaz de comover a opinião popular) e, desta forma, reuniram os ingredientes certos para justificar toda a arruaça.
Agora pergunto: por que não resgatam as galinhas em uma granja pequena ou uns porcos? Por que tinha que ser cachorro de raça em um local grande? O valor da vida de um cão de raça é superior a qualquer outra espécie? Vaca, porco e galinha não sensibiliza ninguém, mas estouro da propriedade privada, vandalismo e beagles são “sensacionais” e promovem “la revolucion”. Talvez até defendam, com alguma razão, que o resgate foi emergencial para a preservação da vida dos cachorros, contudo, deveriam ter se contido tão somente no salvamento, sem vandalismos, nem os saques, que poderão transformar o Instituto em vítima nessa história toda e depor contra os ativistas e a nobre causa que defendem.
Concluindo, gostaria de deixar clara minha opinião de que sou estritamente contra a experimentação animal, pois não considero o homem superior aos demais seres. Mesmo que ainda não existam muitas alternativas de produtos “cruelty free” (neste site há uma lista deempresas que não testam em animais), devemos procurar agir de forma a minimizar o sofrimento de qualquer espécie, nunca deixando morrer o debate ético. À medida em que este tipo de discussão existir, como indivíduos racionais e de alta potencialidade que somos, certamente poderemos desenvolver métodos mais humanitários. O que nos resta fazer enquanto tais procedimentos não são elaborados é procurarmos ter uma vida equilibrada e de compaixão, evitando a utilização de produtos que levam o selo do sofrimento.
Sobre o caso “Instituto Royal”, posiciono-me contra a forma de manifestação adotada, pois houve depredação e invasão de propriedade, características que não combinam com meu agir vegetariano e budista. Penso que a sensibilização maior se deu porque as vítimas eram cães de raça e não pela condição de serem “simplesmente” vidas. Por fim, não considero efetiva a forma com que a maioria dos veganos atua, principalmente quando estão aliados com anarco-comunistas.

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Instituto Royal e os “Testes em Animais”
Classificado como:        

5 ideias sobre “Instituto Royal e os “Testes em Animais”

  • 22 de outubro de 2013 às 12:46
    Permalink

    Os valores em questão sobre os cachorros não são nem premissas para o valor de juízo do olhar sobre a condição do cachorro. Questões da filosofia não aderem ao contato da realidade desde Platão, e é por um motivo assim que Sócrates foi sacrificado.

    Pierre Bayle numa querela com Leibniz já colocava a importância a religião dos Macabeus quando estes nem comiam folhas verdes por assassinar a natureza.
    A grande questão do caso da Royal é quem pegou dinheiro da Oscip e quem ficou com inveja. E principalmente o sensacionalismo destes que defendem os animais que não real não defende nada. E geralmente são pessoas causuísticas de momento, até arranjar um outro problema que se chega a conclusão de nenhuma Phronesis para balancear.

    Se Deus permitiu que uma criança morra de fome então estamos num mundo que o gênio maligno tem seus propósitos. E a idéia de bem é apenas um artifício humano para uma relação amigável com o outro.

  • 22 de outubro de 2013 às 13:15
    Permalink

    entendi bem o comentário acima? A idéia do bem é só uma artifício humano mas o gênio maligno, sim, tem sua legitimidade e seus propósitos?

  • 22 de outubro de 2013 às 16:15
    Permalink

    Concordo plenamente com seu texto Sandro. Quem defende os animais não deveriam criar essa distinção de espécies, até porque não ouço muito sobre pessoas arrombando matadouros.

    Obrigado por mais esse magnífico texto!

  • 24 de outubro de 2013 às 00:56
    Permalink

    Como vegano, olhando microscopicamente, fiquei contente ao ver os animais em liberdade, seja lá o que esteja por trás dessa ação, foram salvos de uma maneira ou de outra. Porém, macroscopicamente essa ação teve repercussão muito mais negativa que positiva.

    Vc comentou sobre estereótipos.. essa ação contribuiu para perpetuar ainda mais o estereótipo do perfil dos protetores dos direitos animais: Um revoltado, hipócrita (o animal tem que ser fofinho, tipo um beagle mesmo, a raça mais dócil se não me engano entre os cães), emocionalmente desequilibrado, que dá mais importância à vida de um animal do que um ser humano. E isso ocorreu pela falta de organização e pelas pessoas de má fé envolvidas.

    Além de fortalecer o estereótipo que carregamos, os protetores ainda foram associados aos black bostas. Não tinha que ter black bostas no meio. Se eles tem alguma associação com as manifestações que ocorreram anteriormente por aí, pode ter certeza que isso é apenas alguma jogada. Estão simplesmente usando os animais (os fofinhos é claro), para se promoverem. Como varios movimentos já tentaram fazer querendo prostituir o veganismo e a defesa dos direitos animais em geral.

    Muito bom seu texto Sandro!

    Abraços

  • 16 de novembro de 2013 às 01:13
    Permalink

    Por que os black bostas não invadem a Friboi?
    Para não serem presos e perderem o patrocínio do PT.

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