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O Budismo não é fruto de uma revelação, tampouco, não é uma religião “do livro”, ou seja, não precisamos crer de olhos fechados em uma escritura supostamente inspirada por algum Deus.

Sidarta Gautama atingiu a iluminação sozinho, sem a ajuda de nenhum livro, nem mestre ou revelação divina, mas simplesmente por meio da introspecção. Para isso ele partiu para um caminho de questionamentos, desconstruindo seus preconceitos, abrindo mão dos próprios desejos, refletindo sobre a realidade, sobre a essência dos fenômenos e sobre o sofrimento que permeia o mundo, descobrindo, desta forma, o Dharma, que é a Verdade. Ele não recebeu uma relevação, ele descobriu a Verdade concentrando-se nela. Hoje temos mestres, sutras e tratados que nos auxiliam, porém, mesmo se não houvesse uma escritura ou sábio sequer, poderíamos, ainda sim, alcançar a Iluminação seguindo os mesmos passos de Buda, pois a Verdade, segundo o Budismo já se encontra latente dentro de nós.

Sidarta Gautama buscando a Verdade por meio da meditação e auto controle

O cânone Budista tem um papel diferente da Bíblia, enquanto a Bíblia requer de nós uma entrega cega, as escrituras Budistas nos convidam à experimentação e à investigação (sképsis). A doutrina Budista tem forte relação com o prático, com o diário e com o que deve ser vivido neste momento, no presente. O Dharma não é um ente metafísico abstrato que aponta para um Reino dos Céus distante; o Dharma é real, isto é, deve fazer sentido “racionalmente” em nossas vidas aqui na Terra e não apenas aceito de maneira dogmática.

As Quatro Nobres Verdades, por exemplo, são sugestões para se agir de determinadas maneiras sob certas circunstâncias; nelas Buda demonstra como cada Verdade apresenta seu próprio desafio: o sofrimento deve ser plenamente conhecido; o desejo deve ser suprimido; a cessação deve ser vivenciada; e o caminho deve ser cultivado. Deste modo, o praticante é convidado a testar estas Verdades e analisar a consistência de seus resultados.

Enfim, o Dharma é pragmático, não dogmático. Sugere um curso de ação a seguir, nunca um conjunto de dogmas a adotar. O Dharma, além de desvelar uma Verdade que já estava em nós, imanente, mas adormecida, prescreve, ao mesmo tempo, o comportamento correto o qual devemos assumir para estarmos alinhados a esta Verdade. Buda se comparava a um médico que indica tratamentos para as nossas doenças: não os adotamos para chegar mais perto de uma “Verdade” unicamente metafísica, mas para que nossa vida floresça aqui e agora em uma “Verdade prática”, de consciência plena sobre quem somos e sobre as consequências de nossos atos. Tomar semelhante caminho é pura questão de escolha e não de fé.

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O Budismo não é uma revelação!
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