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É errado se dedicar a hobbies?

Na última instituição budista que participei, os hobbies eram vistos como uma espécie de perda de tempo e vivia sendo criticado por gostar de videogames. Diziam que eu ainda estava apegado à infância e era viciado em jogos. Essa censura era feita à distância, pois não morava na mesma cidade do templo em que era membro e era uma repreensão equivocada, baseada em um estereótipo que os demais participantes tinham feito de mim porque sabiam qual era meu hobby. Geralmente quando me censuravam assim, estava há 3 ou 4 semanas sem tocar em um controle de videogame, não creio que um viciado ficaria tanto tempo assim longe do vício.

A maioria das religiões tem essa mania de dizer que tudo o que você fazia antes de ingressar nela é pecado ou um apego ou qualquer coisa negativa do tipo. É a ideia dualista do novo homem que nasce a partir da conversão e renega completamente o “homem do passado”, ou seja, o homem  deve deixar de ser ele mesmo e se comportar segundo um padrão estipulado pelo “clero”. Mas será que isso é verdadeiro? Será mesmo que temos que esquecer todas as experiências de vida boas e ruins que nos constituíram com um ser único e que até mesmo nos levaram a aderir uma determinada religião?

Veja também o vídeo sobre o assunto:

Segundo o Budismo, Samsara é Nirvana e Nirvana é Samsara, isto significa que todas as nossas vivências, mesmo quando ainda estávamos afastados da espiritualidade, são importantes e não podem ser esquecidas. Na busca pelo Dharma, todos os erros que cometemos e que nos fizeram sofrer nos ensinam o que não devemos mais repetir e todos os acertos, pois a vida é feita também de muitos acertos, devem ser recordados, revividos e intensificados.

Não há nada de errado em se ter um hobby, é, inclusive, recomendável que todos nós tenhamos algum. Um hobby quando exercido com comedimento e equilíbrio, é uma ferramenta que nos ajuda a relaxar a mente. Um hobby pode até nos aproximar da arte e é sabido que a contemplação da arte eleva o espírito humano. O cinema, por exemplo, pode ter uma bela fotografia, roteiro inteligente e músicas inspiradas. O próprio videogame é um entretenimento composto não só por programadores, mas, muitas vezes, também por artistas: já experimentei jogos de belos designs, ótimas histórias e composições musicais de primeira categoria. Sim, a arte pode acontecer em videogames, embora admita que com pouca frequência. Contudo, nem todos os livros e filmes também atingem o nível de arte a todo o momento não é por isso que deixamos de ler ou de acessar o Netflix, não é mesmo? O fator arte é apenas um plus que se estiver junto ao hobby é bem-vindo, mas não é necessário, uma vez que o intuito principal de um passatempo é o de simplesmente nos ajudar a dar um tempo com os problemas que martelam nossa cabeça. Um bom hobby “nos tira um pouco de nós mesmos” e pode nos aproximar de pessoas afins. Um esporte, por exemplo, além de manter o corpo e a mente saudáveis, facilita a feitura de novas amizades. Apesar de tantos benefícios, nem todo hobby é honesto, a caça, só para citar, é um passatempo que deve ser evitado, por levar sofrimento direto aos seres sencientes.

Meus hobbies principais são a leitura, o videogame e o bodyboard (um tipo de surf). Estes hobbies me ajudaram a ser quem ou; não os considero como empecilhos em meu Caminho Budista enquanto souber o exato lugar deles em minha vida. Através deles já vivi muitos momentos felizes e tive ótimas conversas. É claro, o hobby é apenas um hobby, se em algum momento esta atividade nos afasta da espiritualidade e das responsabilidades perante a família e a sociedade, é porque realmente há alguma uma inversão de prioridades e aí sim poderíamos dizer que há um tipo de apego ou empecilho à Iluminação neste caso.

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