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Mudra* do “girar a Roda da Lei”

Japonês: Temborin-in
Chinês: chuan-fa-lun-yin
Sânscrito: Dharmacakramudraroda do dharma banner

O Temborin-in é o Mudra que, no Budismo, simboliza a Roda da Lei ou Roda do Dharma. Este Mudra é caracterizado por uma considerável quantidade de formas que se desenvolveram conforme o Budismo foi se expandindo na Ásia. Na mais comum de suas várias configurações, de origem indiana, a mão direita se mantém no nível do peito, com a palma voltada para o corpo, enquanto o indicador e o polegar tocam-se pelas pontas formando um círculo. A mão esquerda repete uma configuração parecida, mas com a palma para frente. As duas mãos se encontram pelo contato dos polegares e dos indicadores. No Japão este mudra é mais conhecido na forma tibetana.

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O gesto, pelo seu caráter circular, pode também estar associado a Vairocana, uma divindade Solar, capaz de dissipar mentiras e erros, assim como o sol dissipa as nuvens da manhã.
A Roda ainda significa o movimento e atrelado ao sol, que nasce e se põe diariamente e que durante o ano se afasta e se aproxima da Terra, traz a ideia do tempo que está passando e que nunca para. A insígnia também aparece no mito da “biga solar”: nesta carruagem, duas rodas são ligadas por um mesmo eixo. Uma das rodas exprime o mundo kongokai, enquanto a outra, o taizokai (as realidades ôntica e ontológica respectivamente). O fato das duas rodas estarem ligadas por um mesmo eixo expressa a indivisibilidade entre estes mundos.

Goldem Temple in Dambulla, Sri Lanka
Goldem Temple em Dambulla, Sri Lanka

Apesar de sua grande importância, a Roda do Dharma é inferior a um Buda, pois é este quem faz aquela girar, universalizando a Doutrina. Quando a Roda é posta em movimento, esta passa pelo mundo destruindo todo o mal, todo o erro e todos os inimigos da Verdade Imutável e Inabalável. O girar do símbolo pode ser associado a um ato de criação executado por um Buda, como um monarca que reina sobre o mundo. Assim, a indestrutível Roda do Cosmos ilustra a ação da Doutrina Budista, que tem a força necessária para esmagar qualquer ilusão ou superstição, como um rolo compressor.

roda do dharma cervos

As dimensões da Roda são indefiníveis, seu raio pode variar de um ponto ao infinito; dentro de sua área residem: o eu e o não-eu, a essência e a natureza, o bem e o mal, a alegria e a tristeza, a luz e as trevas, nascimento e morte, todo o movimento e afecção. Estas noções tornam-se cada vez maiores quanto maior for o tamanho do raio. Para além dos limites, o que sobra é a inexistência do irracional, assim como não há “quadrados circulares”.

A ciclo da “consciência do ego” ou da “ilusão de um eu permanente” se repete, assim como, o movimento da Roda que sempre sai de um ponto e retorna ao mesmo. O processo de Iluminação pode ser comparado, por analogia, ao fenômeno gradativo de encurtamento do raio da Roda até que ela se torne apenas um ponto. Uma circunferência diminuta, muito próxima às dimensões de um ponto, representa o Nirvana com resíduos, porém, só é possível atingir o ponto quando se morre, no Parinirvana. Quanto menor o tamanho da Roda, menores são as ilusões, os receios, os preconceitos e maior é a percepção da Verdade.

Em sua primeira forma, a Roda era representada apenas como um disco solar, cujos raios vieram a se constituir em oito “fatias”. Há outras representações posteriores em que pétalas do Lótus aparecem; este acréscimo ampliou ainda mais o significado metafísico do emblema. A Flor de Lótus completamente aberta, além de portar um caráter claramente solar, exprime o nascimento divino, a pureza da lei. São oito pétalas que indicam os oito pontos cardinais ou os oito caminhos corretos (Nobre Senda Óctupla).

Roda do Dharma com as pétalas da flor de lótus
Roda do Dharma com as pétalas da flor de lótus

No Japão, a junção do Lótus ao distintivo circular, traz a ideia de um tipo de “coluna de suporte do mundo”, cujos diversos constituintes estão dispostos ao redor desta coluna, de forma simétrica. Na Índia, a Roda também é reproduzida no topo de um pilar, como uma Flor de Lótus em cima de seu caule.

Nas artes, o símbolo e o temborin-in remetem ao episódio da Iluminação de Shakyamuni e seu primeiro discurso, quando as “Quatro Nobres Verdades” foram transmitidas e a Roda da Lei entrou em rotação “pela primeira vez”. O mudra carrega consigo todo o simbolismo da Roda e a onipotência e a soberania do Buda afirmada em sua identificação a um Monarca Universal (marca da universalidade dos ensinamentos).
Girar a Roda, enfim, é transmitir o Dharma, a fim de que todas as doenças da alma humana sejam curadas; mantê-la em movimento enfatiza a necessidade de que o ensino deve ser exposto repetidamente e por meios hábeis, a fim de facilitar a assimilação dos conhecimentos e beneficiar os seres.

Roda da Lei e suas diversas representações
Roda da Lei e suas diversas representações

Deidades que utilizam o mudra nas escrituras e nas esculturas:

Shakyamuni, Maitreya, Amida, Dainichi Nyorai.

* Mudra é um termo sânscrito para gestos ou posturas das mãos que servem para transmitir profundos significados metafísicos durante as cerimônias religiosas. Os Mudras não são exclusividade do Budismo, são utilizados também em outras religiões, a exemplo do hinduísmo e do cristianismo.

Fonte: E. Dale Saunders. Mudra – A Study of Symbolic Gestures in Japanese Buddhist Sculpture. Bollingen Foundation. New York. 1960. Traduzido por Rev. Sandro Vasconcelos.

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Significado da ‘Roda da Lei’ e seu respectivo Mudra (Dharmacakramudra)
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